6.1.07
Vida de ampulheta
.
.
.
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..
...
......
Os olhos apontavam para cima
os pezinhos para baixo
sumindo, sumindo
levando o corpo junto
virando tempo que passou
já não é nada.
Coloca do lado contrário
e começa outra vez!
E lá vamos...
1.1.07
2007
Daqui já vejo sua distância.
Que beijos, abraços, sorrisos e sonhos façam disto algo menos doloroso.
Até mais, 2007.
19.12.06
Perguntas de sono à ela
com olhos nublados.
Acordarei eu
dentro de uma poça?
Se o meu tempo
estiver afogado,
Você me salva, moça?
8.12.06
Espelho, espelho meu
no espelho
enlouquecendo uma cidade
com fantasia e medo
esta metade me pisca
uma íris envolta em pesadelo
de sombras circunstanciais
que podem dissipar
nunca mais.
"Era uma vez..."
4.12.06
Coloca tudo isso no seu blog!!
Coloca que vc está às 22:45 da noite, quente de vinho e se sentindo só.
Que você olha para todos os cantos do universo e pensa "ai, meu deus, eu não tenho ninguém".
Que tudo o que faz sua vida ir pra frente neste momento é conseguir um estágio novo e o _SÓ O PÓ.
Que você não quer nem a pau se levantar às seis horas da manhã pra ir pro estágio.
Que você não queria estar aqui escrevendo estas bobagens, mas ligando pra alguém, dizendo que ama e que quer ficar junto.
Que você é uma infeliz que ninguém ama, que ninguém quer.
Que você está sem coragem.
Que você se deprecia.
Que você vai se arrepender de tudo isso que colocou aqui assim que olhar seu blog amanhã de manhã.
Que vai querer apagar, mas vai pensar "ah, era isso mesmo que eu tava sentindo, deixa aí".
Que eu quero meus amigos, sempre, eles são tudo, não sei o que seria de mim sem eles.
Que fico triste quando eles vão embora.
Que por mim ficava aqui tomando vinho, escrevendo e rindo eternamente com eles.
Que quero [de novo] meus amigos.
Que me sinto carente.
Que quero minha brutalidade de volta.
Que amo _O PÓ.
Que estou sendo cansativa e repetitiva.
Que existem comentários que queria entender melhor.
Que há um pedaço no coração que precisa ser preenchido.
Que, que, que...
Ah, coloca tudo isso e mais um pouco no seu blog, patética!
Postando, sentimental até a tampa! Ai como eu odeio isso.
Mas estou afim de me desnudar.
30.11.06
25.11.06
O agora
àquele que amava
que não é tão azul
a sua rasgada e triste mágoa.
passado e passadas não existem mais
ao passo que passo
pelo passadiço, voraz,
atrás de vermelhos e violetas
em tua boca uma vez mais.
22.11.06
AVA
DetestAVA. OdiaAVA.
AdiAVA. TolerAVA.
JurAVA. SonhAVA.
MatAVA. BatalhAVA.
CansAVA. CantAVA.
RealizAVA. AcertAVA.
ErrAVA. Tanto AVA que agora
ArrastAVA uma corrente pesada
com um coração doente na ponta
repleto de verbos do passado.
19.11.06
Novas experiências
Então, levaram-me a um local para esperarem-na chegar. Uma, duas, três horas e ela não vinha. Estavam todos ansiosos, queriam um pouco dela e queriam que eu a experimentasse logo. Pouco mais de três horas e ela chega. Amigos, ávidos. Eu, receosa. Ela era bonita, de fato, causou-me atração. Mas, ainda assim, exitei em encostar minha boca. Mas, eles já estavam lá, deliciando-se. Era chegada a hora.
Tentei ser o mais delicada possível quando a peguei, mas confesso que não tinha muito jeito com aquilo e fui meio desastrada. Disseram-me que antes tinha que lambuzá-la e assim o fiz. Depois, levei minha boca até ela [ou ela a minha boca, já não sei]. Fiquei um tempo sentindo o gosto, a textura, diferente do que eu já conhecia. Mordi um pouco e com muito custo consegui terminar o que havia começado. Com um rosto aliviado, disse que não havia gostado. Meus amigos ficaram estupefatos, não era possível, prove outra então, esta aqui. E eu, inocente, iludida, lambuzei, coloquei uma partezinha da outra na minha boca e [argh], não dava, deixei pra lá, não terminei. “Ah, então tente esta, mais encorpada! Deixa que eu lambuzo, você só põe na boca”. Coloquei, fiquei com a língua lá parada com aquilo na boca e minha amiga “vai, Amanda, morde um pouco, termina”, também não deu.
O gosto, a textura, a sensação eram ruins. Fiquei sim mal, mais foi uma reação imediata, ligada diretamente ao sabor, depois passou. Definitivamente, ela e aquele líquido que ficava todo lambuzado nela não eram para mim, muito molhada e argh.
Fui uma decepção aos presentes, que continuaram lambuzando e metendo a boca naquilo, como se fosse a melhor coisa do mundo. Uma amiga disse que a primeira vez é assim mesmo, não se gosta logo, mas depois fica bom. Ela mesma só veio gostar depois de três anos da primeira vez. Mas eu disse não, que não pretendia provar novamente. Particularmente, prefiro continuar com o que já conheço e gosto, infinitamente melhor do que aquilo. Minha boca é preciosa demais para estas aventuras.
Alguns amigos compreenderam, outros continuaram achando absurdo que eu, sendo quem sou, não gostasse. Fui embora cabisbaixa, em busca de uma que fosse para mim. Para minha surpresa, achei sim: acabei a noite com uma gostosa na minha casa e aí sim foi bom. Esta era diferente, era especialmente minha. Saudade agora.
15.11.06
.chove.
estranha calma.
a chuva desenhada
esta tarde
me move.
me morde.
me fode.
{me pode, me dope,
me amole, me jogue,
me sobe, me chove!}
12.11.06
[e se um dia...?]
7.11.06
Algo
Não há medos, anseios,
amores, esperanças,
desejos, segredos,
Nada. Está parado e só.
Uma rocha, que sofre a ação do tempo
e que não muito tarde virará pó.
6.11.06
Queria um bar e tudo o que ele proporciona [ou pode proporcionar]. Não só a bebida, também a conversa com amigos, rostos novos, rostos antigos, alguns idiotas, "algum" interessante, música, ar puro. Sentia-se mofando, mas também com uma certa dificuldade de sair daquele mofo. Tanto que adoecia. A cada duas semanas que passava, pá, pum, lá estava de cama, sem respirar, com olho inchado, febrão... tão decadente, minguando. Muito sangue na veia estava fazendo mal.
- Garçom, álcool e gente interessante, que não fale só bobagens... pode ser? Obrigada!
5.11.06
Não a/há tristeza
sente a linha da morte, por não ter quem a toque
veja a loucura que a solidão deixou na pele, minha querida
não chore, meu bem, não pode
28.10.06
Achados de um hospital psiquiátrico (28/10/2006)
Trancada, uma camisa de força. Havia loucura lá dentro? A partir de que ponto a realidade que acreditamos passa a ser loucura? Quando uma maioria do mundo determina? E se estamos cansados de ver as maiorias errarem, em todos os âmbitos da vida? Fica difícil acreditar nelas então. Se sou bruxa, coloquem-me no fogo. Se sou transgressora da ordem, enforquem-me. Se sou louca e não posso responder pelos meus atos, enterrem-me. Para quê andar do mesmo lado que os outros? Eu não sou o outro. Não sou todo mundo, nem ninguém e, talvez, nem seja eu. Só quero saber as coisas do jeito que sei, aprender do jeito que aprendo, viver do jeito que vivo, ser do jeito que sou.
---
tenho as mãos sangrando por não poder alcançar o que quero, então elas se castigam. As unhas grandes ferem a pele. Escuto sons e vejo coisas que gostaria que fossem para mim, mas não são. Aqui só sou eu e o escuro. Ele é meu, me pertence. Vivo só com as minhas verdades. Não sei de onde tiro estas frases, nem quem as escreve, porque eu não posso fazer isso. Não posso fazer nada. Só tentar não sentir meu corpo, ele dói. Dói saber que ele vive me prendendo e que quando ele me soltar, já não estarei mais aqui. Eu não quero mais pensar, acabou, não mais, não mais...
26.10.06
Putice da vida
Meu pai nunca se decide se vai sair cedo ou tarde de casa, então meu metabolismo fica a mercê das atitutes de lua dele. Eu não consigo dormir cedo, então de manhãzinha fico dormindo pelos cantos e não consigo fazer nada muito eficiente. Então: Amanda demora séculos para levantar, ir ao banheiro, tomar banho, tomar café etc.
Hoje, não tomei café [e tava com fome], tomei banho, estava me trocando e ouvi meu pai tirar o carro [saco!]. Lá vai eu correr atrás da casa feito louca, não sabia [e ainda não sei] onde está minha chave, saí com escova e pasta de dente na bolsa e jurava estar com uma escova de cabelo comigo. Por quê? Porque pretendia escovar os dentes e pentear o cabelo aqui no trabalho. O que acontece? A Amanda só escova os dentes, porque esquece a escova de cabelo! grrrrr!! Tentei pentear com a mão, molhei mais, prendi... e tô puta. Pra completar, tô com dor de cabeça e ainda com fome, tô sem o mínimo saco pra trabalhar, nem pra ir pra ufal, nem pra fazer nada, só queria casa.
Aff... eu aqui falando, falando... é que essa hora não tem ninguém aqui no trabalho, eu preciso canalizar essa energia negativa em algum lugar. Vai aqui mesmo. Ô dia ruim!
=P
P.S.: Tinha um urubu em cima do palácio espelhado... daria uma foto legal... mas será que é mau agouro?
24.10.06
ugh!
Carrego uma concha como um caramujo.
Tô verde que nem uma lesma.
Tentando ler que nem uma traça.
Querendo conhecer gente como uma aranha.
É, tenho sido um bichinho gosmento.
Passar bem!
[escutando AC/DC pq é bom e feliz]
17.10.06
Reflexões
é pior desistir ou não tentar?
E o chão se abre, a terra me engole em línguas de fogo enquanto uma voz grossa e assustadora responde "os dois, minha querida, os dois".
14.10.06
Entre uma página e um tango
O último tango, no fim da última tarde do mês de agosto. Ela o chamou para dançar e ele aceitou. Ela com a certeza de que deveria, ele com a dúvida, mas com passo firme. A música tocava em uma altura que só chegava aos seus ouvidos e apenas os observava um senhor simpático de óculos, que cantarolava canções de boemia todo o tempo, ainda que em seu gramofone estivesse tocando o mais moderno jazz.
Os dois sorriam atrapalhados, de um modo que não combinava com a dança. Não importava, combinava com seus corações. Um tropeço, uma queda, um eterno desengonçar. Mas era intenção, era brilho, era vida. O derradeiro ato, o terminar. Não haveria mais o antigo baile, nem este novo, esta nova sintonia entre os corpos num laço musical.
E toda esta cena não acontecia em Paris, nem em uma casa de tango Argentina, nem em algum grande salão clássico, grande, decorado ou em um palco teatral. Acontecia em um sebo [alfarrábio]. Entre os livros, didáticos, clássicos, verso, prosa, recentes, velhos e muito velhos, nas paredes, no chão, no teto em todo lugar. Espremiam-se belamente num corredor, entre eles. Os olhares aqueles que brincavam, as bocas aquelas que sorriam, os ouvidos aqueles que captavam os sussurros que a alma escondia. A imaginação aquela que se perdia.
Sob os cuidados das lentes enrugadas do senhor cantante, que sorria, eles podiam esperar até a noite, que já se estendia, trazendo consigo o vento frio do adeus.
Amanda Nascimento – 31 de agosto de 2006
8.10.06
ECO (poesia de gnomo feliz, pq eu sou um)
Subimos contentes
Para onde vamos? – aonde vamos?!
Pro outro lado
Pro outro lado
Jogue os dados [os dados!]
E vejam
Quantos passos
damos.
Atrás do monte
Lá se esconde
Aquilo que buscamos
Se esconde? [onde?]
Sabemos não ainda
Jogue a água da fonte [olha lá, a fonte!]
Pra cima
Pra cima!
E veja que coisa
linda!
Chegamos não.
Chegamos?
Sim!
Aqui?
Aqui!
Não pode ser aqui.
Sim pode,
Pode sim.
Jogue carmim!
Não! Nanquim!
Carmimnanquimcarmimnanquim – os dois! E mais!
Pra que canto? [canto?]
Pra um qualquer [pode ser canção?]
E veja nos seus olhos
a transformação!
Do outro lado,
Outro lado,
Coisas lindas [linda, da, das!]
Não se escondem.
Se transformam [formam!]
Atrás do monte [ontem.]
Amanda Nascimento – 11 de setembro de 2006
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