13.7.06

...

Queria ir para casa, mas tinha preguiça. Fechar os olhos e acordar lá seria o ideal. Mas... para quê? Chegar lá e ver a sua bagunçada vida?
Ficar lá fora, distante, era mais interessante. Olhando o movimento dos carros, das pessoas, do tempo e suas cores.

"Vou me adiar um pouco aqui, depois me recupero".

Amanda Nascimento

6.7.06

Boêmia

aos Amigos

Um brinde à boemia
de belos amores
de eterna vida.
Dos dias tristes a alegria.
Amigos infinitos, bebendo
Viva!

Eu que sou, não sou,
Boêmia com ardor
De culto não muito pratico
Mas de fé é infinito
A bebida em meu altar.

E não sei se faz sentido
este poema aqui comigo.
Escrevo o que me passa
E que venha depois a minha desgraça
Mandar-me pro paraíso mais longíquo, se preciso,
Pra curar minha ressaca.

A(À) Poesia agora eu viro!

Amanda Nascimento - 06 de julho de 2006

29.6.06

Poesia perturbada*

Ando perturbada. Pensamentos e sentidos são fios negros, cortando como navalha a pele, perfurando órgãos. Não há tempo de se ater a nenhum deles, pois rapidamente eles me rasgam e transformam-se em outros, com o sangue vivo: mutação no DNA das loucuras que surgem e doem. Eu não sei o que fazer antes de virar pasta desforme de delírios, quando só me restará ser nada.

Amanda Nascimento

*Tanto que não conseguiu levantar-se.

26.6.06

Para início de conversa - desapego -

- Querendo conversar, dividir uma nova experiência, eu estou aqui.

Disse a tela em branco a ela.

- Eu estou passando por esta experiência de bater nas teclinhas do nada, ver as palavras que se formam a partir de um pensamento desordenado, sem ter medo de se vai ter fim ou não.

- Isso eu estou vendo, mas não é disso que você quer falar.

- Como assim não é disso que eu quero falar? Você sou eu por acaso?

- Sou.

- Sou?

- Não, você não. Eu sou.

- Devo estar louca.

- Sim. Você está escondendo de mim que sou você o que você está pensando agora.

- ???

- Tira essas interrogações daí.

- [backspace]
   Não devia ter feito o que você mandou.

- Mas você não fez, eu fiz, porque eu sou você.

- Ah, vai à *****!!

- Não.

- @#$%$#@... eu quero falar de DESAPEGO! Pronto, satisfeito?

- Satisfeita, sou mulher. Afinal, eu sou você. E não estou satisfeita, estou insatisfeita. Por que você quer falar sobre desapego em caixa alta?

- Sei lá, palavra bonita...

- Lá  vem você de novo, não é isso. Eu sou você, mas você ainda não está pronta pra ser eu...

- Mas, mas...

- Mas não, mais... mais tarde a gente conversa, não tenho tempo para um não eu agora. Até breve e vê se pensa sobre esta beleza de desapego.

- o que foi isso? -

[...]

Amanda Nascimento

24.6.06

Fragmentos de pensamento...

Pegou uma nota suja de sangue, dez reais vagabundos, justo na hora em que estava pensando como as pessoas deixam de ser aquilo que eram pra você. Amor, pessoas, dinheiro, sangue. Tudo interesse. Num dia você admira, no outro você despreza ou, pior, o contrário acontece. Num dia você pode comprar o mundo barato. No outro, o mundo te compra barato e você tá numa beira de estrada, pagando com cédula suja uma pinga e metendo goela abaixo com sabor de poeira. Se acaba ali, porque esta cena só é bonitinha em clipe, ou filme de Tarantino. Ali, sentado, vai coçar a barba por fazer, pedir mais uma, jogar uma cantada feia pra uma prostituta mais feia ainda, que vai lhe dar um fora. E ele vai saber que não é nenhum herói e que nenhuma donzela vai entrar pela porta e despertá-lo da sua vidinha inútil com um beijo.

Amanda Nascimento
[último texto postado no meu antigo blog]

[ ]

Aspirante a jornalista e fotógrafa... faz uns versinhos por aí.